Publicado em 10/02/2018 ás 10h45

Guerreiras e guerreiros na batalha cujo prêmio é a vida

Organizados em associações, grupos de apoio ou mesmo tendo como suporte a família, mulheres e homens de todas as idades mostram que a luta contra o câncer pode ser vencida aliando a medicina com a fé e a esperança.
Creditos: Alexandre Mansinho

Alexandre Mansinho

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, chamamos de câncer (ou neoplasia) um conjunto de cerca de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células “defeituosas”, que são também chamadas de tumores, que vão aos poucos tomando órgãos e tecidos, provocando dor, perda de qualidade de vida e, por fim, a morte.

No entanto, embora ainda hoje todos os termos relacionados a essa doença ainda provoquem medo, com o passar dos anos e com as inúmeras pesquisas científicas feitas nessa área, a espécie humana parece estar, aos poucos, virando o placar nessa batalha – o que há algumas décadas significava praticamente uma sentença de morte, hoje representa apenas o início de uma jornada que tem dado tempo, esperança, qualidade de vida e, em muitos casos, vitória para os pacientes.

MEDO E PRECONCEITO – Para a realização dessa matéria o Jornal Negocião entrevistou cerca de 25 pessoas entre voluntários, especialistas, profissionais e pacientes. Entre os pacientes, no entanto, foram raros os que permitiram a publicação do nome ou de informações que pudessem identificá-los – e a explicação, segundo os próprios, é muito simples: o câncer ainda é um tema que dá muito medo e é fonte de preconceito: “acham que porque uma pessoa tem câncer, ela está com a sentença de morte decretada e vai só dar trabalho (...) não nos dão emprego”, disse uma paciente. Porém, como o próprio texto vai mostrar, o placar dessa batalha parece estar virando a favor daqueles que não abandonam a esperança.

“MEU PAI MORREU AOS 93 ANOS, GRAÇAS À FÉ E À CIÊNCIA” – Com pouco mais de 50 anos, ainda no auge da vida profissional, Raul (nome fictício) foi diagnosticado com câncer de próstata: “foi um terror, estávamos no final dos anos 80, tudo ainda era muito confuso (...) mas, como tínhamos uma enfermeira na família, fomos bem orientados e o oncologista (especialidade médica que trata do câncer) disse que não havia motivo para pânico”, diz o filho de Raul. Após a primeira operação, Raul aposentou, teve netos e bisnetos, porém aos 72 anos acabou, em um exame de rotina, descobrindo que o câncer havia voltado, dessa vez no intestino: “fomos encaminhados ao Hospital Amaral de Carvalho, em Jaú, e lá fomos muito bem atendidos (...) apenas com medicamentos e com poucas intercorrências, meu pai chegou aos 93 anos – pode viver conosco bastante tempo, graças à fé e à ciência”.

“NÃO É MAIS UMA SENTENÇA DE MORTE” – Em Ourinhos há um grupo de pessoas, na maioria mulheres, que dedicam parte das suas vidas a ajudar pessoas que foram diagnosticadas com câncer. A RECCO (Rede de Combate ao Câncer), com sede ao lado do Terminal Rodoviário Municipal, tem por vocação auxiliar preferencialmente aqueles que não têm recursos nem tampouco informações diante do diagnóstico. Célia Regina Miranda Carrara, atual presidente da Rede, recebeu o Jornal Negocião para partilhar as vitórias alcançadas, nestes mais de 20 anos de trabalho: “a tecnologia evoluiu muito na medicina, quando um caso de câncer é descoberto no início, as chances de cura são altas (...) não é mais uma sentença de morte”. Célia ressalta que o trabalho na RECCO é um desafio diário: “o tratamento oncológico é caríssimo, se não fosse a estrutura do SUS e o trabalho de ONG’s como a nossa, os mais pobres estariam condenados”, completa.

“POVO DE CORAÇÃO DE OURO” – A RECCO também se destaca nas ações sociais para angariar fundos, segundo a presidente da Rede: “todo o dinheiro para o combate ao câncer é pouco (...) temos aqui um bazar permanente que nos ajuda bastante, mas é o povo de Ourinhos que faz a diferença, é mesmo um povo de coração de ouro, conseguimos muitas doações e conseguimos ajudar bastante os mais carentes por causa dessa vocação ourinhense”.

TIME DE GUERREIRAS – Ana Maria Tristão Valenik, Raquel Leite Caldara, Inielse Aparecida Fernandes da Silva e Neide Vitorino são algumas das voluntárias da Rede que, diariamente, dedicam um tempo para ajudar sobretudo os mais pobres. “Do surgimento da Rede até essa sede que nós temos hoje foram muitas batalhas (...) nos anos 90 nós chegamos a levar pacientes para Jaú com nossos veículos pessoais, a Prefeitura de Ourinhos não ajudava muito (...) hoje a estrutura é outra e o atendimento do SUS, incluindo o transporte e a ajuda para os que fazem tratamentos mais complexos, está muito melhor”, diz Neide. Todas as voluntárias que falaram com o jornal afirmam que não são pacientes oncológicas e nem tiveram casos na família, é o puro e simples amor pelo voluntariado que as motiva a trabalhar.

“DESCOBRI O CÂNCER NO INÍCIO” – Marcos Correa, professor de Ciências Humanas, que atua em movimentos pelos direitos humanos e movimentos sindicais, um dia imaginou que todo o seu trabalho por um mundo melhor iria parar em um consultório médico – em 2014 o diagnóstico de câncer no intestino poderia abreviar sua vida: “sumiu o chão, mas eu fui confiante no tratamento e hoje estou curado (...) eu tive em 2007 um caso na família, por isso passei a fazer exames preventivos com mais atenção (...) graças a esse diagnóstico precoce eu consegui a cura”.

“UM DIA DE PRINCESA” – Regiane Ramos Carneiro, mãe, esposa e mulher trabalhadora, recebeu o diagnóstico mais macabro de todos – o câncer de mama. No entanto, para ela, o apoio do esposo e da família foi a chave: “faço meu tratamento aqui em Ourinhos, pelo SUS e estou a caminho da cura (...) minha patroa até me deu um “dia de princesa” quando terminei minhas sessões (...) esse apoio foi fundamental”.

“NÃO PERDI MEU FILHO PARA O CÂNCER” -  Camila Miranda Lopes teve a notícia que toda mãe teme; aos 3 anos o seu filho, Richard Lopes Pires, foi diagnosticado com leucemia: “não foi fácil, ainda há uma certa lentidão e um certo despreparo para os médicos da rede básica na identificação do câncer (...) mas, quando meu filho foi encaminhado para Botucatu (Hospital da UNESP de Rubião Júnior), tudo ficou mais fácil (...) hoje ele venceu a leucemia e eu não perdi meu filho para o câncer”.

UM CAPÍTULO À PARTE – Sérgio Gama é empresário, pesquisador e cientista. Já esteve mostrando seus projetos relacionados ao tratamento de água em diversos simpósios, tanto no Brasil como no exterior. Esteve, inclusive, no Programa do Jô, que foi transmitido pela Rede Globo de Televisão até o início de 2017. Sérgio acredita que a estrutura de distribuição de água das cidades, sobretudo as mais antigas, é a “culpada” pelo alto índice de casos de câncer, sobretudo os de intestino: “o amianto e outras substâncias sabidamente cancerígenas, que foram usadas em larga escala pela indústria da construção civil, são responsáveis”, afirma. Há quem discorde, há inclusive quem o considere “louco”, no entanto, existe também quem o considere um visionário e pense da mesma forma que ele.

A CIÊNCIA VAI VENCER O CÂNCER? – Nos últimos anos a cidade de Ourinhos tornou-se referência no tratamento oncológico. Uma parte dos pacientes usuários do SUS que precisavam ir a Jaú, Botucatu ou até Barretos hoje já podem fazer o tratamento aqui mesmo. As pesquisas e os diagnósticos cada vez mais exatos estão dando um índice de remissão (diminuição dos tumores) cada vez mais altos. Dr. Norberto Paes, médico especialista em oncologia e responsável pelo Hospital Dr. Monzillo (conhecido como Hospital do Câncer de Ourinhos), disse ao Negocião que a tendência é que, em algumas décadas teremos grandes chances de sobrevida para a maioria dos cânceres: “a chave de tudo é o diagnóstico precoce, hoje já há altos índices de remissão (...) é possível dizer que em algumas décadas teremos chances boas de cura para a maioria dos casos”.

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