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Além do calor e do tempo seco, ourinhenses sofrem com a falta de água

Como se já não bastasse o calor intenso e o clima de deserto, com umidade relativa do ar chegando a menos de 20%, em alguns períodos do dia, muitos ourinhenses estão sendo obrigados a conviver com a falta de água. Durante a semana, a redação do Novo recebeu inúmeros e-mails e telefonemas de leitores indignados com a incapacidade da SAE (Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos) de manter o abastecimento de água na cidade.
Só de moradores do Jardim Itamaraty entre telefonemas e-mails foram 18, um deles o de Anna Maria Dias, 39 anos, dona de casa, que relatou estar há três dias sem água em sua residencia.  “O calor está insuportável e não temos como tomar banho em casa, estamos indo na minha sogra, isso sem falar em outros transtornos que a falta de água causa, como a dificuldade para fazer a limpeza da casa, a impossibilidade de lavra roupar, até para cozinhar é difícil”.
Juliana Miranda, 23 anos, moradora do Jardim Paris, uma das seis pessoas do bairro a entrar em contato com nossa reportagem durante a semana, relatou estar vivendo o mesmo problema, mas com um agravante, ela que é separada do marido sustenta os dois filhos trabalhando em casa informalmente como lavadeira.
“Pago todos os meses minha conta de água em dia e pago caro, mas eles não conseguem cumprir sua parte e manter o fornecimento. Além das dificuldades que a falta de água traz em casa, estou sem ter como trabalhar, não tem como lavar roupa sem água, se o problema continuar não sei o que vou fazer”, disse Juliana sem conseguir esconder sua preocupação.
Nossa reportagem foi até o local e constatou que o problema se estende por toda região, os moradores do Jardim Nossa Senhora Aparecida e Pacheco Chaves, também estão com as torneiras secas.
José Eduardo Martins, 34 anos, morador do Pacheco Chaves é outro trabalhador informal que depende da água para exercer sua atividade. Ele trabalha lavando carros em sua casa no Pacheco Chaves, mas não ganha um centavo há três dias, porque a SAE não consegue manter o bairro abastecido.
“É um absurdo, todo ano é a mesma coisa, chega nessa época do ano começa a faltar água, não queremos justificativas por parte da SAE, mas que administração municipal se planeje melhor e faça os devidos investimentos para que os ourinhenses não tenham que ficar sem água”, disse Martins indignado.
Mas o problema não está acontecendo apena naquela região da cidade, consumidores do centro, da Vila Moraes e adjacências também estavam com as torneiras secas até o fechamento desta edição (2/9 – 18h30). “Ourinhos é uma cidade privilegiada em relação a recursos hídricos, o municipio é banhado por três rios e está em cima de um dos mais abundantes lençois freáticos e, mesmo assim, a SAE não consegue manter o abastecimento da cidade por inteiro, sem interrupções. Está mais do que claro que o problema é falta de administração e principalmente de investimentos no setor”, acredita, Jurandir Silva Vivani, 62 anos, morador da Vila Moraes.
Adriana Nunes, 40 anos, também residente no bairro e tem opinião semelhante. “Ourinhos sofre com há décadas com a falta de abastecimento nos períodos mais quentes do ano. Quando consumo aumenta, isso vem piorando. Está mais do que claro que a SAE está em seu limite de capacidade de captação, tratamento e distribuição de água, a população está crescendo e os investimentos no setor não estão acompanhando. Não precisamos de gastos milionarios com a construção de um novo predio administrativo para SAE, mas sim, que o dinheiro seja investido na melhoria do sistema, para que nossas torneiras não fiquem mais secas como está acontecendo agora”, desabafou.     

O outro lado - Sobre a falta de água no Jardim Itamaraty e bairros vizinhos, o superintendente da SAE, Haroldo Maranho, afirmou em entrevista a Rádio Clube AM (820), que “a firma que está fazendo as obras de galerias no Jardim Itamaraty, estourou um cano de seis polegadas, levando água direto para a galeria, nós demoramos 20 dias para descobrir o vazamento, mas esse problema já foi sanado”.
Também estaria contribuindo para a falta de água naquela região, segundo Maranho, problemas em uma das bombas usadas no abastecimento. “Também estamos resolvendo isso e a o abastecimento deve estar sendo restabelecido em breve”.
Já em relação a interrupção no abastecimento de parte do centro, Vila Moraes e adjaccncias, o superintendente da SAE explicou que houve “a queima de uma bomba de um poço profundo, do escritório da SAE no Centro” e que a “empresa responsável já trocou a bomba e o fornecimento de água já voltou no local”.
Ainda na entrevista concedida a rádio, Maranho garantiu que mesmo com o calor, a baixa umidade e o consequente aumento no consumo de água, a situação está controlada, mas não descartou a possibilidade de novas interrupções temporárias, caso não chova. Ele pediu à população o uso racional da água até que a estiagem que atinge quase todo o país, passe.
No último dia 30 de agosto, em virtude da execução de serviços na ponte localizada sobre o Córrego Christoni e a necessidade de escoramento da adutora de água tratada localizada à Rua José Vicente e Rua Lourenço Jorge, imediações do Itajubi os bairros: Jardim Santa Fé, Jardim das Paineiras, Jardim Brilhante, Jardim Cristal, Jardim Esmeralda, Vila São Luis, Loteamento Mitsui, Jardim Manhatan, parte do Jardim Santos Dumont e Parque dos Diamantes, os moradores também ficaram com as torneiras secas. 

 

 



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