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Tropeiros, Ferroviários e Mascates José Luiz Martins No inicio do século XX, o povoamento de várias regiões do estado de SP deu-se em decorrência de interesses econômicos em conseqüência do cultivo do café. Lavouras espalhavam-se do vale do Paraíba para outras regiões proporcionando a colonização e o surgimento de novas cidades. A grande perspectiva que o café vislumbrava motivou a construção de Estrada de Ferro Sorocabana como meio de escoamento produção cafeeira. Ciente dessas boas perspectivas econômicas tanto do café como do avanço da estrada de ferro, Jacinto Ferreira de Sá, proprietário de grandes áreas de terras na região, movimentou-se politicamente e conseguiu que os trilhos da ferrovia passassem por suas terras. A vocação da cidade de Ourinhos para o comércio vem desses primórdios, desde que trabalhadores da E. F. Sorocabana montaram acampamento nas terras do Coronel Jacinto para construção de um posto ferroviário. Para esse acampamento, que logo tornou-se um povoado, rumavam, tropeiros, pequenos agricultores e mascates trazendo (nome dado no Brasil aos mercadores ambulantes e vendedores de porta a porta, também chamados de “turcos da prestação”) diversas mercadorias no lombo de mulas. Ao redor da pequena estação inaugurada em 1908, casas de madeira foram sendo construídas e um comércio foi surgindo, pessoas vindas dos mais diversos lugares aos poucos foram se estabelecendo, provocando as primeiras transformações sócio econômicas no futuro município. Além disso, um grande contingente de imigrantes Italianos, Japoneses, Árabes entre outros, vieram para essa região pelos trilhos da Sorocabana. Isso impulsionou ainda mais o crescimento populacional na região oeste do estado. Em 1922 os trilhos da Sorocabana atingiriam Presidente Epitácio. Um marco e exemplo da força dos imigrantes na comercial da cidade, foi o sírio Abuassali Abujamra, vendedor ambulante (mascate) que, a partir de 1906, frequentemente passava com seus produtos pelo acampamento de “Ourinho”. Em 1908, fixou residência nessas paragens e logo abriu uma pequena loja na esquina das atuais Rua Antônio Prado e Av. Jacinto Sá, a poucos metros da estação ferroviária. Era uma loja de tecidos que atendia a pequena população do local e pessoas das fazendas e sítios da região. Em pouco tempo Paschoal Abujamra, nome adotado por Abuassali para facilitar o convívio e a comunicação com os moradores e fregueses, levantou várias edificações em volta da estação no primeiro quarteirão da avenida. O sucesso de Paschoal fez com que outros membros da família Abujamra viessem estabelecer-se em Ourinhos dedicando-se ao comércio. Paschoal e sua família são considerados os pioneiros da atividade comercial na cidade. Nos inicio dos anos 20, a população de Ourinhos não passava de 5 mil habitantes. Nas imediações da velha estação e Avenida Jacinto Sá, surgiram vários outros comércios de pequeno porte como casas de secos e molhados, açougue, alfaiataria, barbeiro, farmácia, pensões, fábrica de bebidas (Ivoram/Oncinha) e o primeiro hotel da cidade o Hotel Paton (seu primeiro dono e construtor foi Heráclito Sandano). A partir dos anos 30 com uma nova ferrovia (Ferrovia São Paulo-Paraná) partindo de Ourinhos tendo chegado até Londrina, o comércio local ganhou um novo impulso, e fez com que a cidade avançasse urbanisticamente em outro sentido. A Avenida Jacinto Sá, antes o centro comercial da pequena cidade, iria perder essa condição para os novos estabelecimentos que surgiram acima dos trilhos da Sorocabana do lado de cima da nova estação construída em 1926. O largo da velha igreja matriz (erguida entre 1922 e 1925) distante cerca de 200 metros do lado de cima da nova estação, se transformaria na Praça Mello Peixoto. Ao seu redor, nas ruas adjacentes (Ruas Paraná; Nove de Julho, São Paulo e Altino Arantes) foram surgindo novas casas comerciais, entre elas armarinhos, foto, bares, lojas de tecidos, ferragens, oficinas, serraria, concessionárias de automóveis, tipografia, posto de gasolina, bancos, clube, cinema etc. A partir dos anos 40, Ourinhos ganharia suas primeiras indústrias e atingiria a condição de polo regional de comércio atraindo consumidores da região num raio de 50 km. Desde então, o município vem assumindo até os dias de hoje características metropolitanas na relação sócio-econômica que mantém com mais de uma dezena de cidades tanto do estado de São Paulo como do vizinho Paraná.