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Para passar a noite na fila, as mulheres levam almofadas e cobertores
Os problemas relacionados á saúde ourinhense, a cada dia se agravam mais. Nesta semana, a reportagem do NovoNegocião, flagrou munícipes que chegam a ficar dez horas em frente a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto Habitacional Padre Eduardo Murante, a COHAB, para conseguir uma consulta médica.
Por volta das 19h de quarta-feira (24), algumas senhoras já esperavam a UBS abrir. Algumas pessoas, inclusive levaram almofadas e cobertores para se protegerem do frio.
“Já faz um ano que venho para pegar guias para mim e meus netos e fico de madrugada, quando dá certo, pois muitas vezes chego aqui e não tem vagas. Na segunda-feira (21), cheguei as 00h e já não tinha mais vaga. É muito difícil”, relata a mulher de 58 anos.
As pessoas chegam no início da noite para serem atendidas pelo médico somente no dia seguinte, por volta das 9h. Cada profissional atende 16 pacientes por dia, entre os agendados anteriormente e as pessoas que ficam na madrugada.
“O “guarda” abre o portão às 6h, mas tem dias que ele abre às 4h para a gente ir ao banheiro ou se estiver chovendo”, destaca a moradora da Vila Maria.
Maria Aparecida, 50 anos, destaca que há três anos enfrenta o problema, e que muitas pessoas ficam na fila, mas não conseguem passar pelo médico no dia seguinte. “Tem muitos que ficam e esperam até terminar a consulta para ver se tem vaga. Assim, a gente fica aqui até a hora do almoço com fome e sai sem passar pela consulta”, denunciou.
Além de reclamar de passar pela humilhação de ficar horas a espera da abertura da Unidade Básica de Saúde, as pessoas precisam conviver com os “guardadores” de lugares. Um rapaz cobra R$ 20 para guardar a vaga. “Ele cobra de cada pessoa para ficar na fila. É injusto, mas quem tem paga, quem não tem precisa enfrentar a fila”, desabafou.
As reclamações são desde o descaso com a população que passa a noite do lado de fora do prédio, até o escasso número de vagas. A cada dia são liberados seis agendamentos para o Clínico Geral. “Estamos em cinco aqui, se chagar mais um, já acabam as vagas”, pontuou Dona Maria.
Segundo os munícipes, a situação ficou ainda mais grave no início do mês de novembro, quando a administração municipal transferiu, temporariamente, o atendimento da UBS Vila Odilon para a COHAB. Assim, aumentou-se o número de pacientes e houve uma diminuição do número de vagas.
A reportagem do NovoNegocião tentou um contato com um responsável pela Secretaria Municipal da Saúde, uma vez que a chefe da Pasta, Lúcia Tutui, está em licença médica. No entanto, ninguém foi encontrado.